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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fenômenos climáticos podem expandir doenças em áreas onde não existiam antes.

Condições propícias


Com o aumento das temperaturas e das chuvas no Sul, pesquisador alerta para a possibilidade de deslocamento de vetores e da expansão de doenças para áreas não endêmicas

Por Washington Castilhos

Estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague, indica que os anos de 2000 a 2009 correspondem à década mais quente na história, derrubando a tese de que o aquecimento global estaria estacionado a partir de 1998 – ano tido como o mais quente já registrado.

Os dados também indicam que 2009 possivelmente será um dos anos de maior calor, com temperatura 0,44º C superior à média mundial. O Sul do Brasil, por exemplo, registrou um dos outonos mais quentes de sua história e um dos efeitos mais extremos das mudanças climáticas na região têm sido as constantes tempestades – Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm sofrido com tornados e temporais. O clima quente e úmido torna a área um cenário perfeito para o deslocamento de vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Invernos mais quentes favorecem a reprodução de insetos transmissores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose. No caso da primeira, há a possibilidade da expansão da doença para áreas onde ela não existe.

“No Brasil o Aedes aegypti pode se expandir para o Sul e se tornar endêmico, aumentando a transmissão e a incidência da doença no país”, alerta o médico Ulisses Confalonieri, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e colaborador do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

“O mosquito da dengue está presente em todo o Brasil, mas no extremo Sul existe em baixa população por causa do inverno mais rigoroso na região. Mas, à medida que a área fica menos fria, a incidência pode aumentar”, disse à Agência FAPESP.

Segundo ele, o mosquito só não é endêmico em Estados como o Rio Grande do Sul por ter baixa população, embora não seja somente o clima que controle a existência do vetor. “Além do clima, há uma série de fatores, como as ações humanas de controle de vetores, a forma como a urbanização é feita e como os resíduos sólidos são descartados, e também a capacidade do ambiente em formar criadouros”, explicou.

Confalonieri lembra que a incidência da dengue está mais condicionada pela temperatura e umidade adequada. “É necessário que chova para fazer umidade”, observou. O problema é que as altas temperaturas e as frequentes chuvas formam condições propícias para o mosquito se multiplicar na região, caso não haja intervenções de controle do vetor e a população não contribua para evitar a formação de criadouros.

“Existe um medo do aparecimento de doenças exóticas, as pessoas acham que o clima vai criar doenças novas. Mas o clima pode é piorar as condições de doenças que já existem e não são controladas”, alertou o pesquisador.

Em 2007, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou as primeiras projeções climáticas detalhadas para o Brasil até o ano de 2100, utilizando cenários projetados pelo IPCC, por considerá-los os mais adequados à realidade brasileira.

Segundo tais previsões, a região Sul será de 2º C a 4º C mais quente, de 5% a 10% mais chuvosa e apresentará extremos de chuva, enchentes e temperaturas mais intensos, com impactos na agricultura e na saúde da população. Já a região Sudeste ficará de 3º C a 8º C mais quente.

Para Confalonieri, as chuvas que têm assolado o Sul do país podem estar ocorrendo em função dessa mudança no quadro regional do clima, e o que o setor da saúde precisa fazer é um mapeamento das vulnerabilidades.

“A mudança do clima é uma realidade, e os efeitos estão acontecendo de forma comprovada em algumas partes do mundo. Então, temos que saber que regiões do nosso país são mais vulneráveis. Não vulneráveis apenas porque têm ou não o mosquito da dengue ou da malária, mas também por causa da renda baixa e do pouco acesso à educação e à informação, pois fatores sociais, econômicos e culturais tornam vulneráveis uma região e sua população”, destacou.

Impactos diferentes


O pesquisador da Fiocruz atualmente coordena um projeto que pretende traçar índices de vulnerabilidade, fatores socioeconômicos e ambientais de cada município brasileiro.

“Estamos mapeando o que pode ser perdido ou impactado. Os municípios que têm maior diversidade biológica são mais vulneráveis e também aqueles em que historicamente ocorreram eventos extremos de chuva, com perdas de bens materiais”, disse

Segundo Confalonieri, as grandes cidades são impactadas de forma diferente dentro de seus próprios limites geográficos. “Em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo, as favelas não param de crescer. O grau de vulnerabilidade social e ambiental está aumentando. Temos que estudar o fenômeno climático e o substrato social e cultural. Com a mudança do clima o que vai acontecer com a dengue e com a leptospirose?”, questionou.

No Rio de Janeiro, o projeto já começou e o estudo deverá estar concluído em seis meses. A ideia é fazer o mesmo com cada cidade da Amazônia. “Todo município da Amazônia vai criar um indicador de vulnerabilidade. Devemos lembrar que o aquecimento global é um fenômeno que tem efeitos locais e o efeito principal não é somente o aumento da temperatura”, disse.

Fonte: Agência FAPESP.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UMA ESCOLHA PARA A HISTÓRIA

2728No dia 7 de dezembro de 2009, 56 jornais de 44 países deram um passo inédito de falar com uma só voz, por meio do mesmo editorial. Tomaram essa atitude porque a humanidade enfrenta uma séria emergência.

A data marca o início da COP-15, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em Copenhague, Dinamarca. A seguir, o texto do editorial conjunto:

"Se não nos unirmos para tomar uma ação decisiva, as mudanças climáticas devastarão nosso planeta, acabando também com nossa prosperidade e nossa segurança. Os perigos têm se tornado evidentes há uma geração. Agora, os fatos começaram a falar por si: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes já registrados, o gelo do Ártico está derretendo e a alta nos preços do petróleo e dos alimentos no ano passado é um exemplo do caos que pode estar por vir. Nas publicações científicas, a questão não é mais se os seres humanos devem levar a culpa pelo que está acontecendo, mas quão curto é o tempo que temos para reduzir os danos. Até aqui, a resposta mundial tem sido fraca e sem entusiasmo.

As mudanças climáticas foram causadas ao longo de séculos e têm consequências que durarão para sempre. As nossas chances de frear o problema serão determinadas nos próximos 14 dias. Apelamos aos representantes dos 192 países reunidos em Copenhague a não hesitar, não entrar em disputas, não culpar uns aos outros, mas aproveitar a oportunidade advinda deste que é o maior fracasso político moderno. Esta não deve ser um a luta entre ricos e pobres ou entre Ocidente e Oriente. As mudanças climáticas afetam a todos e devem ser resolvidas por todos.

A ciência envolvida é complexa, mas os fatos são claros. O mundo precisa agir para limitar a 2ºC o aumento da temperatura global, um objetivo que exigirá que as emissões mundiais de gases-estufa alcancem um teto e comecem a cair nos próximos cinco a 10 anos. Um aquecimento maior, de 3ºC a 4ºC - o menor aumento que podemos esperar se continuarmos sem fazer nada -, poderá levar seca aos continentes, transformando áreas agrícolas em desertos. Metade das espécies poderá ser extinta, milhões de pessoas poderão ser desalojadas, nações inteiras inundadas pelo mar.

Poucos acreditam que Copenhague ainda possa produzir um tratado definitivo; progresso real nessa direção só pôde surgir com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca e com a reversão de anos de obstrucionismo americano. Mesmo agora, o mundo se encontra dependente da política interna americana, pois o presidente não pode se comprometer completamente com as ações até que o Congresso americano o faça.

Mas os políticos em Copenhague podem e devem definir os pontos essenciais de um acordo justo e efetivo e, especialmente, estabelecer um cronograma para transformá-lo em um tratado. O encontro sobre o clima das Nações Unidas em junho próximo, em Bonn (Alemanha), deveria ser o prazo final. Como um negociador colocou: 'Nós podemos ir para a prorrogação, mas não podemos bancar uma nova partida'.

No coração do acordo, deve estar um acerto entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, determinando como o fardo do combate às mudanças climáticas será dividido - e como partilharemos um novo e precioso recurso: os trilhões de toneladas de carbono que poderemos emitir antes que o mercúrio do termômetro atinja níveis perigosos.

As nações ricas gostam de citar a verdade matemática de que não pode haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem atitudes mais radicais do que as adotadas até agora. Mas o mundo desenvolvido é responsável pela maior parte do carbono acumulado na atmosfera - três quartos de todo o dióxido de carbono (CO2) emitido desde 1850. Por isso, precisa tomar a liderança: todos os países desenvolvidos devem se comprometer a fazer cortes profundos, reduzindo suas emissões dentro de uma década a níveis muito mais baixos do que os de 1990.

Os países em desenvolvimento podem argumentar que não causaram a maior parte do problema e também que as regiões mais pobres do mundo serão atingidas com mais força. Mas passarão a contribuir cada vez mais para o aquecimento global, e, deste modo, devem se comprometer a agir de forma significativa e quantificável por conta própria. Apesar de ficar aquém do que muitos esperavam, o recente comprometimento dos maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, com metas para redução de emissões foi um importante passo na direção certa.

A justiça social exige que o mundo industrializado coloque a mão no fundo do bolso e reserve dinheiro para ajudar os países mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas, assim como a investir em tecnologias limpas que permitam seu crescimento sem aumentar as emissões. Um futuro tratado também deve ser muito bem esboçado - com rigoroso monitoramento multilateral, compensações justas para a proteção de florestas e avaliações confiáveis de 'emissões exportadas', para que o custo possa, com o tempo, ser dividido de forma mais equilibrada entre os que elaboram produtos poluentes e aqueles que os consomem. E a justiça requer que o peso com o qual cada país desenvolvido deve arcar individualmente leve em conta sua capacidade de suportá-lo; novos membros da União Europeia, por exemplo, normalmente muito mais pobres do que os antigos, não devem sofrer mais do que seus parceiros ricos.

A transformação custará caro, mas muito menos do que a conta paga para salvar o sistema financeiro mundial - e imensamente menos do que as consequências de não se fazer nada.

Muitos de nós, particularmente no mundo desenvolvido, terão de mudar seus estilos de vida. A era de voos que custam menos do que a corrida de táxi até o aeroporto está chegando ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos de pagar mais pela nossa energia e usá-la menos.

Mas a mudança para uma sociedade de baixo carbono traz a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já descobriram que adotar a transformação pode trazer crescimento, empregos e uma melhor qualidade de vida. O fluxo de capital conta a sua própria história: no ano passado, pela primeira vez, o investimento em fontes renováveis de energia foi maior do que na produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis.

Abandonar nossa dependência do carbono dentro de poucas décadas requererá uma façanha de engenharia e inovação sem precedentes na história. Porém, enquanto a ida do homem à Lua e a fissão do átomo nasceram do conflito e da competição, a corrida do carbono que vem por aí deve ser liderada por um esforço conjunto para atingir a salvação coletiva.

A vitória sobre as mudanças climáticas exigirá o triunfo do otimismo sobre o pessimismo, da visão sobre a miopia, o êxito do que Abraham Lincoln chamou de 'os melhores anjos da nossa natureza'.

É nesse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram por meio deste editorial. Se nós, com tantas diferenças de perspectiva nacional e política, podemos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente nossos líderes também poderão.

Os políticos em Copenhague têm o poder de moldar o julgamento da História sobre esta geração: uma geração que viu um desafio e o encarou, ou uma geração tão estúpida, que viu o desastre chegando mas não fez nada para evitá-lo. Imploramos que façam a escolha certa."

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No Brasil, os jornais Zero Hora e Diário Catarinense aderiram ao protesto; somente mais um jornal da América do Sul, o Diario Clarín, da Argentina, aderiu também.

Na Ásia e Oriente Médio, 16 publicações de 13 países estamparam o editorial. Já na Europa, foram 20 veículos de 17 países. Na África, foram 11 jornais de oito países; das Américas do Norte e Central, apenas seis jornais de cinco países participaram.

Veja abaixo a lista dos veículos:

Ásia e Oriente:da China, Economic Observer e Southern Metropolitan; de Taiwan, CommonWealth Magazine; da Coréia do Sul, Joongang Ilbo; do Vietnã, Tuoitre; de Brunei, Brunei Times,; da Indonésia, Jakarta Globe; do Cambija, Cambodia Daily; da Índia, The Hindu; de Bagladesh,The Daily Star; do Paquistão, The News e Daily Times; de Dubai, Gulf News; do Líbano, An Nahar; do Qatar, Gulf Times; e de Israel, Maariv.

Europa: da Alemanha, Süddeutsche Zeitung; da Polônia, Gazeta Wyborcza; da Áustria, Der Standard; da Eslovênia, Delo e Vecer; da Dinamarca, Dagbladet Information e Politiken; da Noruega, Dagbladet; do Reino Unidos, The Guardian; da França, Le Monde e Libération; da Itália, La Repubblica; da Espanha, El Pais; da Holanda, De Volkskrant; da Grécia, Kathimerini; de Portugal, Publico; da Turquia, Hurriyet, da Rússia, Novaya Gazeta; da Irlanda, Irish Times; da Suíça, Le Temps.

África: do Quênia, The Star; de Uganda, Daily Monitor e The New Vision; do Zimbábue, Zimbabwe Independent; de Ruanda, The New Times; da Tanzânia, The Citizen; do Egito, Al Shorouk; de Botsuana, Botswana Guardian; da África do Sul, Mail & Guardian, Business Day e Cape Argus.

América do Norte e Central: do Canadá, Toronto Star, dos Estados Unidos, Miami Herald e El Nuevo Herald; da Jamaica, Jamaica Observer; da Nicarágua, La Brujula Semanal; do México, El Universal.


Fonte: REBIA Sul / Rafael Fernandes.

Honduras lidera índice de risco climático

Honduras lidera índice de risco climático

Nos últimos 28 anos, Honduras sofreu, mais do que quase todos os demais países do mundo, os efeitos de eventos climáticos extremos, diz um estudo sobre as perdas causadas por fenômenos meteorológicos, divulgado durante a cúpula mundial do clima. Em todo o mundo, tempestades, inundações e ondas de calor causaram perdas que chegam a US$ 1,7 bilhão, além de 600 mil mortes, segundo o Índice de Risco Global do Clima 2010. Simultaneamente, a Organização Meteorológica Mundial anunciou, em Copenhague, ser muito provável que a década 2000-2009 tenha sido a mais quente desde que teve início o registro de temperaturas, em 1850.

Este ano, ocorreram ondas de calor extremo na Índia, norte da China e Austrália, e também foram mais frequentes as temperaturas muito elevadas no sul da América do Sul, mostra o Índice. “Nossas análises demonstram que, em particular, os países pobres são severamente afetados” por eventos meteorológicos extremos, afirmou Sven Harmeling, da Germanwatch, uma organização não governamental alemã que promove a igualdade e a preservação dos meios de vida desde 1991. Honduras, Bangladesh e Birmânia são os três países que sofreram a maior combinação de mortes e perdas econômicas entre 1990 e 2008, segundo o Índice. No futuro, isto vai piorar, na medida em que a mudança climática intensificar as tempestades, inundações, secas e ondas de calor, disse Harmeling, autor do Índice, em um comunicado.

Durante milênios, as concentrações de carbono na atmosfera foram, em média, de 260 partes por milhão (ppm), mas nos últimos cem anos aumentaram para 387 ppm, o que faz com que mais calor solar seja capturado, intensificando o efeito estufa natural. Essa energia extra aumenta as temperaturas mundiais e produz mais eventos climáticos extremos, dizem os cientistas. Nesse contexto, é crucial que a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), que está acontecendo de 7 a 18 deste mês em Copenhague, proporcione um financiamento de longo prazo para ajudar países vulneráveis como Honduras a adaptarem-se, disse ao Terramérica Christoph Bals, diretor político da Germanwatch. “É importante que os negociadores compreendam que as cem nações mais pobres são responsáveis por menos de 5% das emissões, mas são as mais afetadas”, destacou.

O Índice reflete o impacto distinto que sofrem os países de uma mesma região. Isso pode ser útil para que os governos vejam o quê e como fazem seus vizinhos, e compartilhem informação sobre os registros que organizam. A centro-americana Honduras pode tomar como exemplo a ilha caribenha de Cuba, porque esta lida muito bem com a prevenção de eventos climáticos extremos, disse Bals. Uma das surpresas que aparecem no informe é o péssimo desempenho dos Estados Unidos, principalmente em termos de mortes por fenômenos como furacões. “Nos Estados Unidos, os afetados são quase totalmente os mais pobres”, ressaltou. O Índice revela também um padrão: os países industrializados que apresentam grande desigualdade entre ricos e pobres são mais vulneráveis do que aqueles onde essas brechas são menores, destacou Bals.

“Em geral, são os pobres os que mais sofrem em quase todas as nações”, acrescentou Bals. O Índice utiliza dados fornecidos pela base NatCatSERVICE da Munich Re, uma das maiores empresas mundiais de seguros. Trata-se de uma medição dos efeitos diretos de desastres extremos, em termos dos impactos sobre a infraestrutura e quantidade de mortes. Uma das principais desvantagens do Índice é que não registra impactos menores no longo prazo, como períodos secos prolongados, desertificação ou perda de acesso a água pelo derretimento de geleiras, o que reduz de maneira significativa a produção alimentar e aumenta as doenças. Portanto, nenhum país africano figura entre os dez mais vulneráveis desta lista.

O Índice não pinta um panorama preciso da vulnerabilidade africana à mudança climática, disse Saleemul Huq, especialista em adaptação do Instituto para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, com sede em Londres, e um dos principais autores dos informes do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) em matéria de adaptação. “Não posso avaliar os impactos sobre a economia ou sobre os meios de sustento, pois simplesmente não há dados para fazer isso”, afirmou Huq ao Terramérica.

Segundo Gordon McBean, do Instituto para a Redução de Perdas Catastróficas da Universidade de Ontário Ocidental, do Canadá, “o Índice está fundamentado em dados do passado e, portanto, não é uma projeção linear dos futuros impactos climáticos. Precisa ficar claro que este é um índice de riscos de eventos extremos relacionados com a mudança climática, não um índice exaustivo de riscos da mudança climática”, disse McBean ao Terramérica, em entrevista concedida por correio eletrônico.

As avaliações da vulnerabilidade à mudança climática adquirem renovada importância agora, quando parece seguro que haverá um fundo de pelo menos US$ 10 bilhões anuais para ajudar os países a amortizarem os impactos do aquecimento global. É possível que esse fundo chegue a US$ 500 bilhões ao ano. Bangladesh já disse que quer 15% desses US$ 10 bilhões. Porém, decidir como dividir esse dinheiro não é uma questão de ciências exatas, mas de decisão política, que cabe ao Grupo dos 77 (integrado por 130 nações em desenvolvimento), disse Huq.


Fonte: Carbono Brasil.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Filme de abertura da Conferência de Copenhague (COP 15)

"Please Help the World", film from the opening ceremony of the United Nations Climate Change Conference 2009 (COP15) in Copenhagen from the Ministry of Foreign Affairs of Denmark. Shown on December 7, 2009 at COP15.

Director: Mikkel Blaabjerg Poulsen, producers: Stefan Fjeldmark and Marie Peuliche, cinematographer: Dan Laustsen, production designer: Peter de Neergaard, editor: Morten Giese, composer: Davide Rossi, sound design: Carl Plesner, production company: Zentropa RamBuk, advisory consultants: Mogens Holbøll, Bysted A/S and Christian Søndergaard, Attention Film ApS.

http://www.youtube.com/watch?v=NVGGgncVq-4

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Seminário: "Mudanças Climáticas" e suas repercussões para a cidade do Rio de Janeiro.

2623

Local: Centro Cultural do Banco do Brasil
Av. 1º de Março, nº:66 - Auditório - 4° andar -Centro -
Rio de Janeiro.
Data: 09/12/2009 - 4ª feira das 14:00h às 19h.
Coordenação: Jose Augusto Silveira e Ana Simas


Mesa de abertura:
Vereador Paulo Messina (Legislativo Municipal)
Dra. Elizabeth Lima - (Sub Secretaria de Política e Planejamento Ambiental da Sec. de Estado do Ambiente)
Prof. Celso Sanches - (UNI- Rio)
Prof. David Zee - (Prof. da Universidade Veiga de Almeida)
Dr. Nelson Moreira Franco (Superintendente de Mudanças Climáticas da Prefeitura RJ)
Álvaro Boechat - (CSA)
Ana Paula Bourbon - (Centro Universitário Celso Lisboa)
Moderadores e coordenadores do evento

Mesa 2:
Prof. Celso Sanches - ( UNI - Rio)
Dr. Nelson Moreira Franco (Superintendente de Mudanças Climáticas da Prefeitura RJ)
Dr. Álvaro Boechat - ( CSA)
Moderador: Roberto Rocco - (Ambientalista)

Mesa 3:
Dr. Axel Grael (Eng. Florestal, Presidente do Instituto Rumo Náutico, Consultor Ambiental).
Prof. David Zee - (Prof. da Universidade Veiga de Almeida)
Gabriella Maria Machado (Aluna do Colégio Maria Imaculada - 7° ano do ensino fundamental)

Moderador: Pedro Graça Aranha (Ambientalista)


Telefone para contato: Srª Márcia: (21) 2294-9182


fonte: http://www.portaldomeioambiente.org.br/

domingo, 6 de dezembro de 2009

Conferência climática da ONU aproxima-se de acordo--Unep

domingo, 6 de dezembro de 2009 17:52 BRST

COPENHAGUE (Reuters) - O mundo aproxima-se de um acordo no âmbito das Nações Unidas para evitar os piores efeitos do aquecimento global, disse um relatório da ONU no domingo, enquanto os delegados se reuniam para discussões sobre o clima em Copenhague.

"Aqueles que dizem que um acordo em Copenhague é impossível estão simplesmente errados", disse Achim Steiner, chefe do programa do meio-ambiente da ONU (Unep), enquanto delegados de 190 países chegavam à capital dinamarquesa para as discussões sobre o clima que acontecem de 7 a 18 de dezembro para substituir o Protocolo de Kyoto.

"Estamos a curta distância de um acordo", disse ele em entrevista coletiva.

O perito em mudanças climáticas da Unep Nicholas Stern disse num relatório que a diferença entre as propostas apresentadas pelos países para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e o que se precisa é de apenas alguns bilhões de toneladas.

O relatório disse que o mundo deveria tentar conseguir emissões máximas de 44 bilhões de toneladas por ano em 2020 para ter uma chance de conter um aumento na temperatura mundial a um limite de 2 graus Celsius acima da era pré-industrial.

As atuais propostas de limitação das emissões por países desenvolvidos e em desenvolvimento seriam o suficiente para limitar as emissões a 46 bilhões de toneladas em 2020.

Nos últimos dias e semanas, vários países inclusive os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil e a Indonésia, definiram novas metas para reduzir as mudanças climáticas, que podem causar mais enchentes, secas, ondas de calor e um aumento do nível dos oceanos.

O relatório estimou que atualmente as emissões anuais de gases causadores do efeito estufa são de cerca de 47 bilhões de toneladas por ano. Sem as reduções, esse número aumentaria para 50 bilhões ou mais até 2020, conforme o estudo.

Em contrapartida, muitos peritos dizem que as promessas feitas até agora não são suficientes para chegar aos níveis que foram definidos para evitar o pior das mudanças climáticas, como garantir que as emissões globais caiam depois de 2020.

Steiner disse reduzir as emissões da aviação e da navegação ou melhor uso de florestas para absorver as emissões poderiam ajudar a reduzir a diferença.

Steiner disse que a diferença entre o que os cientistas acreditam ser necessário e o que está na mesa em Copenhague reduziu-se bastante. "Ainda há uma diferença significativa, mas as pessoas exageram sobre a impossibilidade de reduzir a diferença."

"Pode-se dizer que estamos a apenas algumas gigatoneladas de alcançarmos um acordo em Copenhague em termos do objetivo de 44 gigatoneladas até 2020", disse ele.

"Isso é um sinal de que se os líderes quiserem negociar um acordo, eles podem alcançar um consenso antes do fim do encontro de Copenhague."

(Por Alister Doyle e Anna Ringstrom)

Aquecimento climático pode ser maior que o previsto

Aquecimento climático pode ser maior que o previsto, diz estudo

da France Presse, em Paris

Na véspera da abertura da conferência da ONU, em Copenhague, um estudo sobre o clima no passado, divulgado neste domingo pela revista especializada Nature Geoscience, diz que o aquecimento a longo prazo causado pelo aumento de concentrações de gases de efeito estufa poderá ser entre 30% e 50% mais alto que o previsto.

A capacidade atual dos computadores não permitem levar em consideração todos os fatores a longo prazo, motivo pelo qual os cientistas se voltam para o passado da Terra para obter mais informações.

Assim, uma equipe analisou as temperaturas e a concentração de CO2 no Plioceno Médio, há três milhões de anos.

As temperaturas eram entre três e cinco graus mais altas que hoje, numa atmosfera que continha 400 ppm (partículas por milhão) de dióxido de carbono (CO2), ou seja, pouco mais que as 387 ppm atuais.

Em relação à concentração de CO2 nessa época, as temperaturas do Plioceno Médio são, portanto, entre 30% e 50% mais altas do que dão a entender os parâmetros do IPCC (Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática, na sigla em inglês) da ONU, observam os autores.

Os estudos do IPCC não levam em conta as mudanças de elementos de nosso sistema climático com variações lentas, explicam. Mas a pesquisa não questiona as conclusões dos modelos climáticos para este século e sim o nível de estabilização.

"Nossos trabalhos mostram que a 400 ppm, teremos mais de dois graus" de aquecimento. "Para estabilizarmos a dois graus, deveríamos fixar como objetivo 380 ppm aproximadamente", ou seja, uma redução em relação ao nível atual, explica.

Num debate sobre o nível de estabilização do CO2, "é realmente importante conhecer as consequências a longo prazo das emissões", destaca o estudo.

Mas, embora os seres humanos deixem já a partir de amanhã de emitir CO2, o nível na atmosfera só começaria a baixar dentro de vários séculos.

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OUTRAS NOTÍCIAS
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"Ongueiros" vivem maratona climática às vésperas de Copenhague

Por MAURÍCIO KANNO, colaboração para a Folha Online

As atividades das ONGs ambientais cresceram em 2009, ano decisivo para quem aguarda uma solução quanto ao aquecimento global. Militantes, ongueiros e ativistas "verdes" vivem dias de correria e agenda cheia, no Brasil e no mundo.

Um bom exemplo de como um evento como a conferência de Copenhague modifica a rotina de quem milita pelo meio ambiente é a coalisão de cerca de 240 entidades para a chamada campanha TicTacTicTac, formada neste ano especificamente para pressionar os líderes mundiais por um acordo.

Em 24 de outubro, a coalisão organizou um evento cuja mobilização foi considerada por eles recorde em um único dia: 5.200 eventos em 181 países, apenas 11 países a menos que o total de 192 participantes da ONU.

Essa foi a chamada em busca do limite de 350 ppm (partes por milhão) de CO2 na atmosfera.

A coalisão TicTacTicTac também coletou quase 10 milhões de assinaturas em todo o mundo, sendo 170 mil no Brasil.

Outra ONG que reforçou suas mobilizações neste semestre foi o Greenpeace. Na última terça-feira (1º), estenderam um banner de 9 mil metros quadrados em Brasília, o maior aberto pela ONG em seus 38 anos de história.

Durante a reunião preparatória de Barcelona, em novembro, ativistas do Greenpeace escalaram uma estátua de Colombo e também a igreja da Sagrada Família, onde penduraram faixas de protesto.

Em outubro, subiram até em um obelisco de cem metros na Espanha.

Desde a semana passada, os ativistas atuam com "orelhões móveis" pelas ruas.

O objetivo é convocar as pessoas a telefonar ao gabinete do presidente Lula, para pedir metas mais ambiciosas.

Em setembro, houve ainda a Semana do Clima, com eventos diários pelas ruas. Não faltaram ativistas fantasiados de vacas, para alertar sobre o impacto da pecuária no aquecimento global e outros vestidos de guardas, dando multas para quem poluía a atmosfera com automóveis.

Contratações

A luta contra o aquecimento global pode ser também uma boa oportunidade para quem procura um emprego. A equipe para Mudanças Climáticas e Energia da ONG WWF no Brasil cresceu em 2009, com a contratação de um coordenador dedicado exclusivamente ao tema. Três representantes estarão presentes atuando durante toda a conferência de Copenhague.

Em março, o grupo realizou o evento A Hora do Planeta, quando milhares de pessoas em cerca de 4.000 cidades em 88 países do mundo --113 no Brasil--, desligaram suas luzes durante uma hora para manifestar seu engajamento contra as mudanças climáticas.

"Durante este ano, as negociações de clima foram o foco principal de nosso trabalho", diz Carlos Rittl, coordenador da área do WWF-Brasil, ONG que lançou em sua vertente internacional uma série de estudos sobre o tema este ano. "A agenda de negociações internacionais foi muito intensa", diz.

Municípios unidos

A associação internacional de governos locais Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade) acompanha as discussões climáticas desde 1990, quando foi fundada. Florence Karine Laloe, gerente de projetos para Mudanças Climáticas da associação, conta que o número de cidades que aderiram à associação praticamente dobrou entre 2008 e 2009.

Relativamente novo no Brasil, em 2005 o Iclei contava com oito municípios associados, um número que passou para 13 em 2008 e cerca de 25 em 2009. Pelo mundo, o crescimento de municípios associados pulou de aproximadamente 900 em 2008 para 1.100 em 2009.

Apesar de o número de municípios brasileiros ser pequeno comparado ao total global da associação, Laloe explica que a população nas cidades brasileiras correspondente equivale a quase 20% do total de municípios pelo mundo associados.

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Saiba o que está em jogo nas negociações do clima

por MARINA LANG, da Folha Online

O que realmente está em jogo na conferência do clima em Copenhague? Se levarmos em conta que os líderes políticos já assimilaram o perigo do aquecimento global, a resposta é simples: o desenvolvimento econômico.

É aí que as tentativas de consenso acerca de uma meta única emperram. Historicamente, os países abastados são aqueles que mais emitem gases na atmosfera (e fazem isso há mais tempo). Essa visão faz com que países pobres ou em desenvolvimento torçam o nariz quando seus colegas do primeiro mundo queiram que todas as nações tenham metas compulsórias.

No discurso, isso foi o motivo dos Estados Unidos recusarem a assinatura do Protocolo de Kyoto, ratificado em 1997: os países desenvolvidos manterem reduções absolutas de carbono enquanto meta, e países em desenvolvimento terem objetivo de crescimento com baixo carbono, em caráter não-compulsório.

Sergio Serra, embaixador extraordinário para a Mudança do Clima do Ministério das Relações Exteriores, afirma que a ideia é transplantar os artigos mais relevantes de Kyoto para Copenhague. "Mas os EUA são contra a substância do documento", observou, em evento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) no final de novembro, em Brasília.

No mesmo evento, José Miguez, coordenador-geral de Mudança Global do Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia, comentou que a meta do Protocolo de Kyoto era a redução em 6% das emissões, com base no ano de 1990. "Mas [os EUA] não cumpriram, ao contrário: as emissões aumentaram em 17%. Ao contrário do necessário, houve um aumento de dez em dez anos", observou.

O Brasil e outros 36 países em desenvolvimento vão a Copenhague dispostos a exigir que, até 2020, as nações desenvolvidas cortem ao menos 40% das emissões em relação a 1990. No entanto, EUA e China sinalizaram que vão reduzir 17% e até 45%, respectivamente, mas com uma base muito menor (2005).

O governo brasileiro já anunciou, em caráter não-compulsório, a redução entre 36,1% e 38,9% até 2020, em uma medida tomada a partir de que se nada fosse feito.

Financiamento

Em março, Yvo de Boer, secretário-executivo da convenção do clima, apontou os quatro eixos cuja resposta deve ser dada em Copenhague.

São eles: a) a quantidade de gases que os países industrializados devem reduzir; b) quanto os maiores países em desenvolvimento, como China e Índia, devem reduzir; c) como será a ajuda financeira aos países em desenvolvimento quanto às reduções; e d) como esse dinheiro será angariado.

Na visão do coordenador-geral José Miguez, os dois últimos pontos não devem ser respondidos. "Não há desejo dos países desenvolvidos quanto à contribuição no financiamento aos países em desenvolvimento, para aqueles que não podem investir", declarou.

"A grande discussão é o financiamento. A visão dos países ricos é que a adaptação [ao tratado] é um problema local, que deve ser conduzido por conta própria."

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Para brasileiros, aquecimento global não é o maior problema

por RICARDO MIOTO, da Folha de S. Paulo

O brasileiro não considera o aquecimento global uma prioridade e erra feio ao apontar as suas causas. Mas se diz disposto a pagar para amenizá-lo, mostra pesquisa Datafolha.

O Datafolha ouviu 2.073 pessoas em 124 municípios em todas as regiões do Brasil entre 9 e 11 de setembro. Numa lista de dez grandes problemas mundiais, apenas 5% dos entrevistados mencionaram o aquecimento global como sua maior preocupação. Pobreza, violência e fome aparecem nos primeiros lugares.

* Veja o especial sobre a Conferência de Copenhague
* "Ongueiros" vivem maratona climática às vésperas de Copenhague
* Filmes-catástrofe e documentários abordam aquecimento global

Em empate técnico (a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos) aparecem mortalidade infantil (6%), falta de acesso à educação (5%) e terrorismo (4%). A biodiversidade aparece como preocupação principal de apenas 1% dos entrevistados.

Podendo escolher mais de uma opção, os entrevistados apontaram a falta de cuidado com o lixo (com 60%) e com a água (45%) como os maiores culpados pela mudança climática. Só depois surgem carros (36%) e desperdício de energia (32%), que estão entre as principais causas do problema.

Ainda assim, as pessoas se dizem dispostas a gastar dinheiro em nome do combate ao aquecimento global, seja em mais impostos, em uma conta de luz mais cara ou no supermercado. A maioria dos entrevistados (58%) diz que pagaria imposto para preservar a Amazônia e reduzir as emissões.

"É a resposta socialmente esperada. Mostra que há receptividade [à questão ambiental]. Mas pergunte quando as pessoas pagaram mais caro para favorecer o ambiente. Provavelmente ninguém saberá dizer", diz Fábio Mariano, especialista em consumo da ESPM.

Mudança do Clima: que clima?

Mudanças geram expectativas. Será que vai dar certo? Quando pensamos em mudar, significa que algo atingiu um certo limite, bom ou ruim. Os limites nos acompanham há milhares de anos como criaturas humanas. Acompanharam até os dinossauros quando o Homo sapiens não sabia nada sobre o sistema econômico da natureza.

A maré sobe e desce, religiosamente. Os caranguejos sabem exatamente até onde ela vai, sem nenhum alerta ou aparelho tecnológico para lhes indicar o que vai acontecer. Caranguejos são excelentes bioindicadores. Lagartas, besouros, mosquitos e escorpiões também. A propósito os mosquitos são muito bons nisso. Eles percebem rapidamente qualquer alteração climática. São excelentes aliados nesse sentido.

Plantas também percebem as mudanças. Florações fora de época, filhotes morrendo de fome nos ninhos e suas mães desesperadas em busca da larva que não apareceu no mesmo período. Esses sinais me lembram as Sete Pragas do Egito.

Tudo isso nos leva a compreender que o planeta tem regras e obedece a todas elas, embora não haja nenhum código ético escrito pelo homem nesse sentido. Ao contrário, as regras humanas – como o próprio nome indica - foram feitas para humanos e não consideram as questões “ambientais”.

Se nos entendêssemos como ambiente, seria mais fácil perceber essas nuances. Mas dizem que nós somos “gente” e pertencemos a uma outra categoria especial, que merece um tratamento diferenciado. Por causa disso, colocamos nossos interesse em primeiro lugar, achando que a nossa tecnologia pode resolver tudo, com certa independência.

Mal saímos do século XIX – onde os ratos nasciam de panos velhos e trigo bolorento - e já estamos nos habilitando a resolver a questões do planeta. Somos realmente criaturas especiais. Filósofos antigos não estavam interessados em estabelecer regras. Parece que eles já sabiam que as regras já estavam postas e se preocupavam mais em tentar percebê-las do que criá-las. Refletindo e consultando os oráculos a intenção era para captar algo que a “sociedade” não percebia. E não exatamente para um invento puro e simples, conseqüência óbvia do primeiro fato. Os “pensadores” não receberam este nome, por acaso. Eles desejavam saber sobre as nossas inquietações, aspirações e desejos mais íntimos. Sobre a origem da instabilidade do homem e sua busca por segurança.

Quando dizemos que existe um “clima”, entendemos que estão ali elementos indispensáveis para despertar sentimentos, valores, emoções. Que sentimentos estão sendo mobilizados com a mudança do clima do planeta? Descaso? Descrédito? Desunião? Não fique tenso, porque também vamos saber em breve qual o “clima” da Conferência de Copenhague (Dinamarca) em dezembro de 2009. Dos sentimentos ali colocados vão depender alguns milhões de pessoas, plantas, fungos, bactérias e ecossistemas inteiros. Estão em jogo não somente vidas constituídas e dependentes ecologicamente falando. Outros sistemas estarão em jogo: o econômico, o social o cultural.

Mudanças na temperatura média do planeta, conforme expectativas dos mais renomados pesquisadores, afetam a segurança alimentar, a migração de desabrigados (refugiados ambientais), novos cenários sanitários. A inativação de vastas áreas planas, seja por inundação ou seca, produzem prejuízos astronômicos.

Empresas de seguros correm o risco de não poderem honrar seus compromissos por não terem lastro, caso os seus contratantes estejam “quebrados” pelos desastres ambientais. Qual a saída? Mais tecnologia? A mesma que gerou esta situação atual? Uma “nova” tecnologia? Dependente de pesados investimentos em pesquisa e experimentações adaptativas? Quem banca esses gastos?

Estamos “catucando” os sistemas de equilíbrio da Terra, sem nos preocuparmos muito com as reações que virão em contrapartida! Estamos “ferindo o planeta” - e ele está sangrando! As soluções apresentadas parecem sugerir que devemos “ferir menos”, mas sem deter a hemorragia! Vamos torcer que a anemia não tenha sido tão intensa e que uma transfusão de sangue emergencial possa tirar o paciente da UTI.

A preocupação é que já estamos quase no final do ano, época de festas, grandes estardalhaços, espetáculos pirotécnicos e bebedeiras, no mundo inteiro. Corremos o risco de não haver sangue suficiente nos estoques das emergências – porque as pessoas se esquecem de doar sangue durante esses eventos festivos.

A questão é que se a maioria permanecer nesse clima de orgias e insensibilidades, pode acontecer que eles mesmos venham precisar de um atendimento, quem sabe, tarde demais...

fonte: Somos Ambiente - http://www.somosambiente.blogspot.com/

sábado, 5 de dezembro de 2009

Filme de animação ecológico

Eu vi esse filme recentemente na TV Futura e é ótimo!


What is The Story of Cap & Trade?

The Story of Cap & Trade is a fast-paced, fact-filled look at the leading climate solution being discussed at Copenhagen and on Capitol Hill. Host Annie Leonard introduces the energy traders and Wall Street financiers at the heart of this scheme and reveals the "devils in the details" in current cap and trade proposals: free permits to big polluters, fake offsets and distraction from what’s really required to tackle the climate crisis. If you’ve heard about cap and trade, but aren’t sure how it works (or who benefits), this is the film is for you.

http://storyofstuff.com/capandtrade/

Chegou a hora de decidir quem paga a conta do clima

Ainda não há acordo sobre a origem dos recursos necessários para a adaptação e mitigação às mudanças climáticas e esta dúvida pode ser o principal fator de um possível fracasso da Conferência da ONU em Copenhague.

Mudanças climáticas, aquecimento global e gases do efeito estufa são conceitos que já entraram para o vocabulário das pessoas. Apesar disso, não é fácil explicar para quem não acompanha atentamente o desenrolar das negociações porque será tão complicado alcançar um acordo climático em Copenhague se todos os países reconhecem que estes são problemas sérios. A explicação mais simples recai sobre um tema que todos nós entendemos: dinheiro. Afinal, quem paga a conta das mudanças climáticas?

Desde a Eco-92, há quase 20 anos no Rio de Janeiro, as nações mais ricas aceitaram que possuem uma maior responsabilidade sobre o clima, já que foi a industrialização do Hemisfério Norte a principal causa da emissão excessiva de gases do efeito estufa no decorrer dos últimos 150 anos.

Agora, os países em desenvolvimento, entre eles Brasil e China, também aparecem como grandes emissores, e está sendo exigido deles que optem por um progresso menos agressivo ao meio ambiente; um desenvolvimento que siga um caminho diferente do feito pelas nações ricas. Essa mudança de rumo custará dinheiro e alguém terá que pagar por ela, mas quem?

Além disso, diversos países pobres são os que mais estão sofrendo com as mudanças no clima. Tuvalu e Maldivas, pequenos Estados insulares, correm literalmente o risco de desaparecer com a subida do nível dos oceanos, sendo que as suas emissões sempre foram insignificantes. Alguém terá que ajudar esses países a se adaptarem à sua nova realidade e novamente vem a questão: quem vai pagar pelas obras de infra-estrutura e pela ajuda que serão necessárias para aliviar o sofrimento desses povos?

Essas perguntas são alguns dos principais imbróglios da COP-15, que começa na próxima segunda-feira (7) em Copenhague. Aliás, é muito provável que se não sair um acordo global nessa conferência, a culpa não seja de debates sobre metas de emissões e sim, simplesmente, por uma questão de dinheiro.

Custos

O volume de recursos que os países estão dispostos a pagar para a adaptação e mitigação é uma incógnita que parece estar ligada de forma inversamente proporcional à responsabilidade histórica de emissões de cada nação. De uma maneira geral, pobres querem receber mais e os ricos pagar menos.

Um grupo formado por 77 países mais a China, conhecido como G77, propõe que as nações ricas repassem entre 0,5% a 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) anual para o combate às mudanças climáticas. Dessa forma, o valor poderia ser ainda maior que os US$ 170 bilhões recomendados pela ONU por ano, enquanto alguns países europeus e os Estados Unidos sinalizam que podem oferecer bem menos, algo como US$ 20 bilhões.

Através de estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a ONU afirma que em 2030 deveriam estar sendo destinados de 0,3% a 0,5% do PIB global para as mudanças climáticas além de 1,1% a 1,7% de todos os investimentos mundiais.

Segundo a porta-voz da Organização Mundial pela Migração (IOM, na sigla em inglês), Jemini Pandya, ainda não há como saber quanto custará adaptar o mundo porque não existem pesquisas suficientes sobre o assunto. “A própria migração que será necessária devido às mudanças climáticas já é algo muito difícil de lidar. Não temos dados exatos do motivo pelo qual as pessoas mudam, por muitas vezes nem elas sabem dizer exatamente qual a razão”, afirma.

Para ela, o tema ainda não recebe a atenção devida. “O foco está sendo mais nas conseqüências do aquecimento global e eu consigo entender isso, já que por muito tempo houve um grande ceticismo sobre as emissões de gases do efeito estufa estarem causando o aumento das temperaturas”, diz.

Já para Tim Nuthall, da Fundação Climática Européia, um valor de 0,13% do PIB já seria próximo do ideal. “De acordo com a reunião de Bali, em 2007, a questão do financiamento para mudanças climáticas seria baseada em dois princípios: condições de pagar e responsabilidades históricas pelas emissões. Eu avalio que o volume de recursos necessários para a adaptação global seja de uma média de 100 bilhões de euros anuais.”

Propostas

Existem diversas idéias de como esse dinheiro deveria ser levantado e administrado; da criação de um novo organismo internacional para este fim, como quer o Brasil, a uma combinação de mecanismos de mercado, financiamentos públicos e impostos sobre setores como transporte e energia.

Identificar novas formas de financiamento será um dos pontos chave em Copenhague. Existe uma grande pressão para que os países ricos aumentem seu comprometimento e o volume de recursos que destinam para as mudanças climáticas. Porém, a União Européia e os Estados Unidos ainda buscam saídas no setor privado, principalmente nos mercados de limite e comércio de emissões (‘cap-and-trade’), como uma possibilidade para levantar recursos.

A Convenção Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC) sugeriu uma série de propostas para serem discutidas em Copenhague: uma taxa global sobre emissões de CO2, impostos sobre transportes marítimos e aéreos, e expandir os procedimentos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) para a Implementação Conjunta (IC) e o comércio de emissões.

A lógica do “paga o poluidor e quem tem condições” parece ser uma tendência a ser seguida em Copenhague. “O dinheiro deverá vir de uma combinação de mecanismos de mercado e de fundos públicos. Existe uma grande pressão nos países ricos para que abram os bolsos, tão grande quanto a para que adotem metas. O fato é que ainda não foi feito o suficiente para evitarmos as piores conseqüências das mudanças climáticas. Os países ricos devem agir e agir rápido”, explicou Nuthall.

Os líderes mundiais terão 15 dias para avaliar todas essas propostas e concordar em um modelo que seja ao mesmo tempo justo e eficiente. Como se percebe, não será nada fácil fazer isso, o que nos faz mais uma vez lastimar que as reuniões anteriores à Copenhague pouco avançaram em decidir quem irá se responsabilizar por bancar os custos das mudanças climáticas.

fonte: www.portaldomeioambiente.org.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Aquecimento global em reai

Qual o preço do aquecimento global? Para a nação comandada por Lula, até metade do século, provavelmente 3,65 trilhões de reais. Em outras palavras, significa crescer economicamente durante quarenta anos, mas aproveitar o PIB de apenas 39. Esta é a principal conclusão do estudo “Economia da Mudança do Clima no Brasil: custos e oportunidades”, lançado oficialmente durante reunião na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Rio de Janeiro, nesta quarta-feira. Os números, apesar de chamativos, podem estar subestimados: o trabalho não levou em conta gastos de infra-estrutura por falta de informações disponíveis.

Elaborado por um grupo de instituições e financiado pela Embaixada Britânica, o documento é direto ao afirmar que o país pode cortar 70% do desmatamento na Amazônia caso consiga financiadores (nacionais ou estrangeiros) dispostos a pagar três dólares por cada tonelada de carbono. No mercado, hoje, a mesma quantidade custa, em média, 50 dólares. Caso este último valor seja o escolhido, porém, torna-se possível manter 95% das florestas de pé que antes seriam derrubadas para dar lugar à pecuária e outras atividades degradantes.

“Quero apenas deixar claro que acabamos de ter o menor desflorestamento da história e, nem por isso, o dano econômico para a Amazônia foi grande. Isso porque as atividades são ilegais e a margem de lucro, portanto, pequena. Eles lucram, sim, quando não pagam pelas terras ou multas”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante o seu discurso de uma hora. Por mais que não tenha participado do trabalho de pesquisa, foi ele quem mais falou durante a apresentação – e, como de costume, usou o tempo diante do microfone para elogiar os próprios feitos.

Mas não foi apenas na maior floresta tropical do planeta que o estudo se baseou. Na verdade, o grupo de pesquisadores de 11 diferentes instituições elaborou previsões detalhadas para diferentes setores da economia, divididos por todas as regiões do país. Para tanto, foram utilizados dois cenários estabelecidos no âmbito do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) que traçam o possível comportamento do clima no futuro. Entre os conjuntos analisados por esta metodologia, que é apenas uma no universo de outras dezenas existentes, estão tópicos como temperatura, precipitação e fluxo hidrológico.

Os resultados obtidos a partir destas possibilidades geram termos econômicos relacionados à adaptação para os impactos imaginados. Embora o IPCC use a perspectiva do setor financeiro global, o estudo brasileiro tentou compatibilizar a realidade de seu território com as previsões elaboradas pelo painel. Levando isto em consideração, chega-se ao quanto cada brasileiro deve perder em 2050 com os efeitos do aquecimento: algo entre 534 reais/ano e 1.603 reais/ano - quase quatro vezes um salário mínimo.

Concebido em cinco blocos (cenários futuros do clima no Brasil; impactos ambientais, sociais e econômicos esperados; adaptação; análise macroeconômica e oportunidades para o país a partir da redução de emissões) o estudo prevê que o Norte e o Nordeste serão as regiões mais afetadas pelas alterações no clima. Isto apenas ressalta que as populações mais afetadas no globo serão, ao menos no princípio, as mais pobres. “Elas ficarão mais quentes e verão seus índices pluviométricos reduzirem. A confiabilidade no sistema energético cairá em cerca de 30% em virtude da queda no volume de água das hidrelétricas. Será preciso pensar em alternativas”, avaliou Sérgio Margulis, economista e coordenador técnico do projeto.

Oportunidades

Em números, o governo federal precisará investir algo em torno de 58 bilhões de reais ao ano na fabricação de novos parques energéticos, sejam eles movidos pelo sol, vento ou carvão. Este medo, no entanto, foi rebatido por Luiz Pinguelli, da Coppe-UFRJ. Segundo ele, ainda não existe certeza de que irá chover menos no Nordeste brasileiro. “São muitos os cenários, e cada um diz algo diferente. Para este estudo foi usado apenas um, então não se pode afirmar nada”. Seu argumento foi contestado por Carolina Dubeux, da Coppe e coordenadora técnica do trabalho ao lado de Margulis. “Como sabíamos desta dificuldade, usamos outros 15 modelos para o Nordeste, e todos convergiram”, garantiu.

A agricultura também será muito afetada pelas conseqüências do acúmulo de carbono na atmosfera. Praticamente todos os cultivos vão sofrer. A cada grau centígrado a mais na temperatura global, menores os terrenos nos quais o café vai prosperar em Minas Gerais. Caso haja um acréscimo de seis graus, por exemplo, a cultura do grão desparecerá do estado. Entre as soluções apontadas está o investimento em pesquisas para alterar geneticamente as sementes, o que permitiria a adaptação a novos ambientes. Os únicos que podem celebrar são os produtores da cana de açúcar, já que ela receberá muito bem a nova ordem climática. Margulis, porém, acredita que a pressão mundial pelo etanol não é um risco para as matas.

Dificuldades à parte, os pesquisadores envolvidos analisaram oportunidades para o Brasil. A substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas pode evitar o lançamento de 92 a 203 milhões de toneladas de carbono equivalente até 2035. Para isso, o relatório deixa claro que a mudança no clima deve constar nas políticas públicas e é urgente aumentar o conhecimento técnico acerca do tema. Imediatamente, entretanto, a dica parece simples: estancar o corte ilegal de árvores na Amazônia. “Este é o seu trabalho, ministro”, cutucou Margulis, durante a sua fala.

Convidado a discursar, Minc apenas esboçou um sorriso após o puxão de orelha amigável do colega. Mas, logo em seguida, desandou a fazer propaganda oficial e, de vez em quando, lembrava que era preciso mencionar o estudo responsável por levar todos àquela sala. Para o manda-chuva da pasta ambiental no Brasil, o esforço das instituições envolvidas é muito importante porque mostra aos cidadãos, pela primeira vez, que as mudanças climáticas acontecem de verdade e precisam ser levadas a sério.

“Estamos falando de custos para a adaptação. Isso significa que, se o planeta parar de lançar carbono hoje para a atmosfera, teremos de arcar com o resultado das ações que já fizemos. Mas acho que está um pouco alarmista porque não vamos deixar para agir em 2050. Já temos diversas frentes no governo e estas análises por regiões ajudarão ainda mais”, explicou. Independente de discursos, o fato é que o aquecimento global nunca foi tão palpável.

fonte: Felipe Lobo - www.oeco.com.br
25/11/2009, 22:14

Cidade vence a poluição e é eleita a mais verde da Inglaterra

É possível mudar
20/11/2009, 16:08
A cidade inglesa de Newcastle, situada no norte do país e conhecida por seu histórico industrial e pelos altos índices de poluição, foi eleita ontem a cidade mais “verde” da Inglaterra, empurrando a vencedora do ano passado, Bristol, para o segundo lugar. A lista é feita anualmente pelo “Fórum para o Futuro”, que classifica as 20 cidades mais sustentáveis da Inglaterra, com base em 13 fatores, incluindo reciclagem, poluição e como o governo local está se preparando para reagir à ameaça das mudanças climáticas.

O resultado deste ano tem valor especial, segundo Peter Madden, chefe-executivo do Fórum. Ele mostra que mesmo cidades bastante degradadas em relação ao meio ambiente e com patrimônio industrial forte são capazes de superar seu legado de industrialização. Durante décadas, Newcastle foi enegrecida pelo pó do carvão que alimentava suas fábricas. Depois de anos de reconstrução após seu declínio industrial, a antiga metrópole do norte foi elogiada por sua excelente qualidade do ar, baixos níveis de resíduos, baixas emissões de carbono e elevadas taxas de reciclagem.

fonte: www.oeco.com.br

China e EUA elevaram chance de acordo climático

ONU: China e EUA elevaram chance de acordo climático
AE - Agencia Estado

XANGAI - As propostas apresentadas pelos governos da China e dos Estados Unidos de corte nas emissões de gases causadores do aquecimento global melhorou as perspectivas de um acordo ser fechado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), que será realizada em dezembro em Copenhague, na
Dinamarca. A avaliação foi feita hoje pelo secretário-executivo da Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), Yvo de Boer.

O governo chinês anunciou hoje um plano segundo o qual pretende incrementar acentuadamente sua eficiência energética ao mesmo tempo que desacelera suas emissões de gás carbônico, como parte de sua contribuição para o combate ao aquecimento global. Em comunicado divulgado na página do governo central na internet, o Conselho de Estado informou que o país pretende reduzir de 40% a 45% as suas emissões de dióxido de carbono por unidade de Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, tendo como base os dados de 2005.

Na nota, o governo chinês afirma que o plano é uma ação voluntária que leva em consideração as condições do país e o qualifica como uma grande contribuição para os esforços globais de combate ao aquecimento global. Porém, o Conselho de Estado, principal órgão administrativo da China, informou que os objetivos serão incorporados ao Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social como metas de médio a longo prazo e que, então, a medida terá força de lei. Para tanto, serão elaborados parâmetros para calcular, monitorar e avaliar as emissões.

As metas serão alcançadas por intermédio da elevação dos investimentos em
eficiência energética, carvão limpo, fontes renováveis de energia,usinas nucleares e no processo de captura e estocagem de gás carbônico. Segundo o texto, a China pretende fazer com que o consumo de combustíveis que não sejam de origem fóssil represente 15% da produção energética do país até 2020, conforme o presidente Hu Jintao já havia comentado em setembro.

Protocolo de Kyoto

No anúncio, o Conselho de Estado reitera que a China insiste que os princípios fundamentais do Protocolo de Kyoto sejam mantidos em um futuro pacto para lidar com o aquecimento global. De 7 a 18 de dezembro, líderes de pelo menos 65 nações e representantes de 191 países se reunirão em Copenhague, na Dinamarca, para negociar um novo acordo climático que sucederá o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Ontem, a Casa Branca anunciou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, irá à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) prometendo redução considerável das emissões norte-americanas de poluentes. Segundo funcionários do governo, os EUA pretendem reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em 17% até 2020, com base em números de 2005, e em 83% até 2050. Depois de a Casa Branca ter confirmado Obama em Copenhague, a China informou que seu
primeiro-ministro, Wen Jiabao, também irá à cúpula. As informações são da Dow Jones.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mudanças climáticas podem aumentar risco de migração de pessoas

Cerca de 200 milhões de pessoas podem migrar até 2050

Por Paula Laboissière, da Agência Brasil

O Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) alertou para o risco de aumento das migrações por conta das mudanças climáticas.


O Fundo lançou na quarta-feira (18/11) – em Brasília e em outras 120 cidades no mundo simultaneamente – o relatório "Situação da População Mundial 2009", que estima que até 2050 cerca de 200 milhões de pessoas podem ter de deixar seus lares por conta da degradação do meio ambiente e pede que os governos se planejem com antecedência na tentativa de reduzir os riscos de desastres naturais.

Para o representante do Unfpa no Brasil, Harold Robinson, é urgente que a questão das mudanças climáticas seja vista sob um novo enfoque: o da relação entre clima, população e gênero. O ponto central, segundo ele, é que as mudanças climáticas não são apenas uma questão ambiental, mas um problema humano provocado pela atividade humana.

Robinson destacou evidências do aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa – os dez anos mais quentes foram registrados nos últimos 12 anos e os desastres naturais dobraram nas últimas duas décadas, com uma média de 400 ocorrências ao ano. “Há um impacto direto sobre o bem-estar da população mundial”, avaliou.

O representante da organização ressaltou que as mudanças climáticas são a ameaça que afeta a humanidade de forma mais desigual, uma vez que atingem quem menos contribuiu para a sua ocorrência – os mais pobres e os mais vulneráveis. Dados do relatório indicam que apenas 3% do total dos gases de efeito estufa lançados na atmosfera, por exemplo, são emitidos por essa parcela da população.

A coordenadora do Unfpa no Brasil, Taís Santos, lembrou que as mudanças climáticas são fato posto, já que estão em pleno andamento. “As pessoas são responsáveis, são afetadas e precisam se adaptar”, disse, referindo-se ao homem como o único agente capaz de interromper as alterações de clima.

Taís acredita que o que se pode fazer atualmente é adotar comportamentos proativos que considerem todas as dimensões do problema. Ela avaliou que os investimentos em tecnologias mais limpas ou mais verdes, por exemplo, podem contribuir, mas que o problema é bem mais complexo.

Mulheres serão mais afetadas

O Relatório aponta ainda que as mulheres – maioria entre o 1,5 bilhão de pessoas que sobrevivem com US$ 1 ou menos por dia – sofrem as piores consequências das mudanças climáticas.

O representante do Unfpa no Brasil explicou que as mulheres pagam os preços mais altos em termos da perda de colheita, falta de água e destruição de habitações, uma vez que são maioria da força de trabalho na agricultura, têm menor acesso a trabalho e à renda e apresentam menor mobilidade. “Elas estão mais vulneráveis aos desastres ambientais”, disse.

O documento, intitulado Enfrentando um Mundo em Transição: Mulheres, População e Clima, mostra que os investimentos que permitem às mulheres o empoderamento (tradução da palavra inglesa empowerment, que significa dar poderes de decisão, participação e autonomia a uma pessoa), sobretudo nas áreas de educação e saúde, fortalecem o desenvolvimento econômico e reduzem a pobreza, provocando impactos positivos sobre o clima.

Como bom exemplo, o documento da Unfpa destacou o empreendedorismo feminino em Bangladesh. Na cidade indiana – que sofre regularmente com chuvas e enchentes –, um grupo de mulheres sugeriu, como forma de adaptação às mudanças climáticas, a troca da criação de galinhas por patos.

A poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague (Dinamarca), a Unfpa cobrou uma negociação global sobre o clima baseada na igualdade e nos direitos humanos.

Foto: O representante do Fundo Populacional da Organização das Nações Unidas no Brasil, Harold Robinson lança o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2009.

Crédito: Marcello Casal Jr/ABr


Fonte: Envolverde

Os desafios da espécie humana diantes das mundanças do clima

CLIMA: Os desafios da espécie humana diante das mudanças

Por Thalif Deen, da IPS

Nações Unidas, 19/11/2009 – Um informe da Organização das Nações Unidas sobre mudança climática apresenta uma nova perspectiva humana em relação a um debate centrado principalmente na eficiência energética e nas emissões industriais de carbono. A mudança climática é muito mais do que emissões de gases que provocam o efeito estufa, diz o estudo apresentado ontem pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Também é a dinâmica demográfica, a pobreza e a igualdade de gênero, acrescenta.

“Na medida em que a velocidade do crescimento demográfico, das economias e do consumo superarem a capacidade de ajuste da Terra, a mudança climática pode se tornar muito mais grave e, possivelmente, catastrófica”, adverte o documento “Estado da População Mundial 2009”. A diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, destacou que o dano ambiental é “um dos riscos mais injustos de nosso tempo. A pegada de carbono de milhares de milhões de pessoas mais pobres sobre a Terra é de 3% do total mundial, embora sejam os pobres, especialmente as mulheres pobres, que suportarão a desproporcional carga da mudança climática”.

Em um contexto de aumento da população mundial – que se aproxima dos sete bilhões de pessoas – há cada vez mais evidências de que a mudança climática é consequência, principalmente, da atividade das pessoas. “A influência da atividade humana sobre o clima é complexa; diz respeito ao que consumimos, ao tipo de energia que produzimos e utilizamos, se vivemos na cidade ou em uma fazenda, em um país rico ou pobre, se somos jovens ou velhos, o que comemos e, inclusive, na medida em que mulheres e homens desfrutam de igualdade de direitos e oportunidades”, diz o informe.

O estudo é divulgado pouco antes da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), que acontecerá de 7 a 18 de dezembro em Copenhague. Um acordo internacional que ajude a reduzir as emissões de gases-estufa e que aproveite a perspectiva e a criatividade de mulheres e homens servirá para lançar uma estratégia mundial efetiva de longo prazo para abordar a mudança climática. Mas, em uma cúpula de líderes mundiais realizada na semana passada em Cingapura decidiu-se apostar somente em um acordo “politicamente vinculante” na capital dinamarquesa e esquecer do tratado legalmente vinculante, talvez até uma futura cúpula do próximo ano no México.

Consultado sobre o volátil cenário político, Richard Kollodge, editor do estudo do UNFP, disse à IPS: “Tenha, ou não, a conferência de Copenhague como resultado um tratado ratificável sobre mudança climática, o processo de trabalhar para um acordo global que estabilize o clima e enfrente os impactos continuará” por muito tempo. O UNFPA continuará promovendo o poder das mulheres, mediante a educação das meninas e maior acesso à saúde reprodutiva e ao planejamento familiar voluntário, acrescentou. Kollodge também disse que este informe terá relevância além de Copenhague.

Ao dirigir-se aos presentes na última cúpula da ONU sobre mudança climática, em setembro, a presidente da Finlândia, Tarja Halonen, centrou-se na perspectiva de gênero. “Sabemos que a mudança climática afetará mais seriamente as regiões mais pobres e os grupos humanos mais fracos”, afirmou. Aproximadamente 70% dos pobres do mundo são mulheres, e elas é que sofrerão mais os efeitos da mudança climática, acrescentou. “Ao ajudar as mulheres a sobreviverem em seus contexto cotidianos, também podemos promover os objetivos gerais do desenvolvimento sustentável”, ressaltou.

Halonen disse ainda que as mulheres serão poderosos agentes na mitigação da mudança climática. “Necessitamos garantir a participação plena e ativa das mulheres, tanto na redação quanto na implementação do novo acordo”, afirmou. Por sua vez, Obaid disse que o estudo do UNFPA mostra que as mulheres têm o poder de se mobilizar contra a mudança climática, mas este potencial só pode se concretizar mediante políticas que lhes deem poder.

Ampliando o debate, o informe diz que a mudança climática diz respeito aos seres humanos. “As pessoas causam a mudança climática. As pessoas são afetadas pela mudança climática. As pessoas devem adaptar-se a ela; e somente as pessoas têm o poder de enfrentá-la”, afirma o documento. A influência da mudança climática sobre as pessoas é descrita com “complexa”, já que dispara as migrações, destrói os meios de sustento, altera as economias, debilita o desenvolvimento e exacerba as desigualdades entre os sexos, acrescenta.

O estudo lista vários riscos relativos à mudança climática. Até 2075, entre três bilhões e sete bilhões de pessoas poderão enfrentar escassez crônica de água, e é possível que um em cada seis países padeça escassez alimentar a cada ano devido a secas severas. Além disso, 30% das espécies de plantas e animais podem se extinguir se o aumento das temperaturas globais superar os 2,5 graus. Mas, segundo as estimativas atuais, a temperatura mundial poderá aumentar até 6,4 graus no final deste século. E no mesmo lapso o nível do mar poderá subir até 43 centímetros, ameaçando a própria existência dos pequenos Estados insulares. (IPS/Envolverde)


Fonte:Envolverde/IPS